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| “Você não sabe o quanto eu gostaria de acreditar, Seiya...” |
♌ Digamos que Aiolia suspirou internamente - pois por fora mantinha a mesma postura -, remoendo um pouco mais daquele sentimento que anteriormente classificamos como um “misto de tristeza e raiva”. Aioros era o cavaleiro perfeito; possuía não somente um cosmo cálido ou técnicas de batalha impecáveis, mas sua maior virtude residia em seu caráter bondoso, repleto de generosidade, de uma capacidade ímpar de compreender e respeitar os sentimentos de outrem, de uma grande sabedoria e de um incomensurável senso de justiça que ia muito além do campo bélico. ♌
♌ Aioros não era uma pessoa cega por suas crenças, não era somente um cavaleiro que defendia Athena. Não! Ele o fazia justamente porque Athena simbolizava todos os valores que ele tinha como preciosos dentro de seu coração; ele o fazia porque via nela a possibilidade de salvação para o mundo através de um “amor maior”; ele via nela não a espada que decepa o mal, mas sim a mão carinhosa que afaga o criminoso e o regenera. A humanidade necessitava de uma deusa assim, e é por isso que Athena era enviada à Terra a cada 200 anos: para trazer a salvação. Ou seja, não era por seguir Athena que Aioros era assim, mas justamente o contrário. ♌ |
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| - Não desista, meu irmão. Por mais que exista uma grande diferença de poder entre nós, você precisa entender o essencial: o cosmo, esta força vital existe dentro de todas as pessoas. Nós, os cavaleiros, temos que aprender a controlá-la para realizar milagres. Você é ainda muito jovem e vai crescer muito, vai se tornar muito forte, mas você precisa ter um coração que ame as pessoas, meu irmão. Você precisa acreditar no poder da esperança. É por isso que nós lutamos por Athena, Aiolia. Nunca se esqueça disso. |
♌ Ele era um exemplo não somente para Aiolia, mas sim para todo o Santuário. Talvez não houvesse uma pessoa sequer que nutrisse contra ele maus sentimentos, nem mesmo os inimigos que ele tivera de derrotar. Dizem que ele, juntamente com Saga de Gêmeos, era candidato à sucessão no posto de Grande Mestre. O leonino cresceu com esse grande referencial, idolatrando seu irmão e desejando seguir seus passos, desejando ser um cavaleiro honrado e nobre como ele, desejando ter uma força maior no coração do que nos músculos. Ele se espelhava no mais velho e com ele, seu tutor, havia aprendido o que realmente significava ser um cavaleiro de Athena. Não é por menos que, apesar de sua má fama entre alguns cavaleiros de ouro - e, conseqüentemente, alguns de prata -, os santos mais jovens e demais aspirantes vissem nele alguém a quem se espelhar - a personificação das virtudes de um cavaleiros. ♌
♌ Aiolia sempre tratou todas as pessoas com respeito, desde aspirantes a soldados, não vendo uma hierarquia real entre cavaleiros de bronze, prata ou ouro em função de suas armaduras ou de suas forças, mas acreditando que eram igualmente pessoas acima de tudo. Não era raro vê-lo andando pelo Santuário com trajes comuns de treino, deixando sua indumentária dentro de sua casa. Ali, nas tardes que passava assistindo os treinamentos no Coliseu, ele se sentia somente mais um dentro da grande causa de Athena – os outros tinham tanto valor quanto ele, apesar da hierarquia formal. ♌ |
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| - Seiya, não ligue para o que dizem. Isto é uma grande bobagem. Não importa se você é oriental ou grego; seu nome, sua origem, sua raça: nada disso importa. A Marin é um belo exemplo disso, Seiya. Ela também é oriental, e mesmo assim é uma amazona de prata. A única qualificação para se tornar um cavaleiro é a vontade de proteger este mundo tendo Athena em seu coração. Você só precisa acreditar no cosmo que existe dentro de sua alma e ele lhe mostrará o caminho correto. Entendido, Seiya? Então volte a treinar e dê tudo de si. Nunca se esqueça disso. |
♌ Normalmente, Aiolia acabaria rapidamente com qualquer inimigo que tivesse a audácia de invadir seu templo zodiacal e atentar contra Athena. Mais do que a sua vontade, aquilo era o seu dever – não só para com o Santuário ou sua deusa, mas também para com seu irmão e sua promessa de limpar o nome da família e provar que ele, independente do crime de Aioros, não era sua sombra, mas sim um cavaleiro como todos os outros. ♌
♌ Mas foi naquele momento que ele chegou à seguinte conclusão: ele era para Seiya aquilo que durante tanto tempo – e até mesmo agora – seu irmão fora para si; quando olhava para Seiya, via a si mesmo no passado diante do cavaleiro de Sagitário. Pensou então que talvez a justiça pudesse ser aplicada de outra forma naquela situação; pensou que talvez pudesse salvar Seiya desta loucura que parecia acometê-lo. O Santuário, com toda sua rigidez normativa, talvez não o perdoasse por aquela traição como não perdoaram – e ele mesmo incluído – Aioros, mas talvez o leonino pudesse desculpar Seiya e guiá-lo pelo caminho correto. Por que tudo precisaria ter o mesmo triste fim? ♌ |
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| - Por que você continua dizendo que esta garota é Athena? Isto não faz sentido, Seiya! Athena vive neste Santuário, e você sabe muito bem disto. Se você quer batalhar comigo... como cavaleiro, vou continuar seguindo aquilo que eu ensinei para você e defenderei Athena a todo custo. Não permitirei que você atravesse a Casa de Leão! |
| ♌ Os inúmeros meteoros luminosos que se desprendiam dos punhos do cavaleiro de bronze pareciam incapazes de tocar o corpo do santo áureo. A velocidade dos ataques era extraordinária para um guerreiro daquele nível, mas ainda assim estava muito aquém da de Aiolia. Ele viu cada um dos socos projetando rastros azulados como se aquela ação, que se passava em ínfimos segundos, durasse uma eternidade. Sua velocidade era incrivelmente superior à de seu oponente, o que fazia com que, embora esquivasse de todos os ataques, parecesse estar parado na mesma posição em que se encontrava. Bastou que erguesse o dedo indicador de sua mão direta para que incontáveis feixes de luz rasgassem o ar e voassem em direção àquele garoto que se encontrava tão próximo. ♌ |
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| - Então isto é tudo que você pode fazer por “sua Athena”? |